PSICOGRAFIA À LUZ DE GRAFOSCOPIA, o que Perandréa não viu.

 

 

 

 

 

OBJETIVO

 

 

 

O objetivo principal do trabalho é contestar a conclusão do estudo contido no livro “Psicografia à Luz da Grafoscopia”, de que Chico Xavier reproduzira o traço de ILDA MASCARO SAULLO, durante suposto contato mediúnico com o espírito da falecida; o que foi considerado “prova científica” da comunicação espiritual.

 

 

 


 

OBSERVAÇÕES:

 

 

1)   O autor do presente estudo não é técnico em grafoscopia, tão-somente conhece os rudimentos da matéria, em decorrência, deslizes e equívocos no uso de termos técnicos, ou mesmo a falta desses, deve ser relevada.

2)   Considero importante destacar que o trabalho não intenta avaliar a capacidade técnica do professor Perandréa. Nada temos a objetar relativamente ao fato de Carlos Augusto Perandréa ser classificado como perito de qualidade. As críticas que seguem focam exclusivamente a excêntrica suposição defendida pelo técnico de que teria comprovado legítima atuação mediúnica de um espírito por meio da psicografia de Chico Xavier.

3)   O material utilizado em nossos cotejamentos e ilustrações é o contido no livro do professor Perandréa; não tivemos acesso aos espécimes originais.

 


Preâmbulo

 

 

Carlos Augusto Perandréa é conceituado grafoscopista e, durante um bom período de sua carreira técnica, ministrou treinamento a pessoas que lidam com a  verificação de autenticidade de escritos, como advogados, policiais e bancários.

 

A grafoscopia é uma ciência que tem por objetivo, basicamente, identificar a autenticidade e autoria de grafismos, e comprovar a legitimidade de documentos. É, também,  conhecida por variadas intitulações, quais grafística, grafotecnia, perícia gráfica, documentoscopia, etc.

 

Existem outras matérias que lidam diretamente com aspectos da escrita, embora com finalidades diversas das da grafística, quais a grafologia; caligrafia; paleografia.

 

A grafologia, muitas vezes confundida com a grafotecnia, até mesmo acidentalmente, é arte que intenta descrever as peculiaridades psicológicas do redator, por meio da análise do traço que elabora. Conquanto seja considerada sem fundamento científico, existem grafologistas conceituados e respeitados. Em vários países, empresas selecionam empregados pela avaliação grafológica. Para ilustrar, reproduzimos parte de texto do famoso grafólogo Eric Singer, no qual relaciona os campos de aplicação da grafologia.

“Eis uma relação das possíveis aplicações da grafologia, no seu desenvolvimento presente:

a.     No exame de escritas, para se averiguar se não foram falsificadas ou dissimuladas e, nos tribu­nais, para se estudar o caráter do acusado e das testem unhas.

b.     Na escolha de empregados ou na orientação vo­cacional.

c.     No comércio para se saber se o futuro compra­dor ou sócio merece confiança.

d.     Na escolha do cônjuge e para orientação matri­monial.

e.     No estudo da escrita infantil e na educação ge­ral.

f.      Emprego da grafologia como parte do estudo da psicologia geral.

g.     Aplicação da grafologia como auxiliar do diag­nóstico médico, especialmente nos distúrbios mentais.

h.     Aplicação pessoal com o fim de se conhecer melhor o espírito.

i.      Ao estudo das personagens históricas.

j.      À biologia e à psicologia por meio de comparação de escritas de membros da mesma família.

k.     À psicologia social, estudando a influência do meio na escrita e na personalidade.”

(Conhece-te pela Letra – Eric Singer).

 

A caligrafia é a arte da bela escrita. Em passado não muito distante, as escolas incluíam a caligrafia no currículo de estudos, na atualidade o procedimento se perdeu. De qualquer forma, existem no mercado materiais de treinamento, que permitem aos interessados redigir manualmente com apuro artístico.

 

A paleografia é o estudo das escritas antigas, seja em que caractere esteja grafado. A paleografia tanto pode se dedicar a análise de hieróglifos egípcios, quanto a documentos grafados em caracteres latinos. Trata-se de uma complexa técnica e de vasto campo de aplicação.

 

 

Voltando ao trabalho do professor Perandréa: em um dos cursos que conduzia, foi questionado por aluno a respeito da possibilidade de a grafoscopia validar escritos psicografados. A psicografia, segundo o ensinamento espírita-kardecista, é a forma mais eficiente de espíritos comunicarem com vivos;  conquanto não seja a única, pois os desencarnados também podem utilizar outros métodos, quais a psicofonia (uso da voz do médium para transmitir a mensagem espiritual); a psicopictografia (pintura sob a influência de  pintores falecidos), e outros. Consideremos declarações de Allan Kardec:

 

De todos os meios de comunicação, a escrita manual, que alguns denominam escrita involuntária, é, sem contestação, a mais simples, a mais fácil e a mais cômoda, porque nenhum preparativo exige e se presta, como a escrita corrente, aos maiores desenvolvimentos. Dela tornaremos a falar, quando tratarmos dos médiuns. (Livro dos Médiuns – questão 157)

 

De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto é por ele que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade. Pela facilidade que encontram em exprimir-se por esse meio, eles nos revelam seus mais íntimos pensamentos e nos facultam julgá-los e apreciar-lhes o valor. Para o médium, a faculdade de escrever é, além disso, a mais suscetível de desenvolver-se pelo exercício. (Livro dos Médiuns – questão 178)

 

 

 

Assim, motivado pela  indagação do treinando, o instrutor decidiu investigar melhor o assunto. Provavelmente, levou em conta o pronunciamento de Allan Kardec a respeito da letra dos médiuns nas psicografias, conforme exemplos a seguir (destaques − negritos e realces – de nossa autoria).

 

Médiuns polígrafos: aqueles cuja escrita muda com o Espírito que se comunica, ou aptos a reproduzir a escrita que o Espírito tinha em vida. O primeiro caso é muito vulgar; o segundo, o da identidade da escrita, é mais raro. (N. 219.) (Livro dos Médiuns, quesito 191)

 

 

Mudança de caligrafia

Um fenômeno muito comum nos médiuns escreventes é a mudança da caligrafia, conforme os Espíritos que se comunicam. E o que há de mais notável é que uma certa caligrafia se reproduz constantemente com determinado Espírito, sendo às vezes idêntica à que este tinha em vida. Veremos mais tarde as conseqüências que daí se podem tirar, com relação à identidade dos Espíritos. A mudança da caligrafia só se dá com os médiuns mecânicos ou semimecânicos, porque neles é involuntário o movimento da mão e dirigido unicamente pelo Espírito. O mesmo já não sucede com os médiuns puramente intuitivos, visto que, neste caso, o Espírito apenas atua sobre o pensamento, sendo a mão dirigida, como nas circunstâncias ordinárias, pela vontade do  médium.

 

Mas, a uniformidade da caligrafia, mesmo em se tratando de um médium mecânico, nada absolutamente prova contra a sua faculdade, porquanto a variação da forma da escrita não é condição absoluta, na manifestação dos Espíritos: deriva de uma aptidão especial, de que nem sempre são dotados os médiuns, ainda os mais mecânicos. Aos que a possuem damos a denominação de Médiuns polígrafos. (Livro dos Médiuns, quesito 219)

 

Perandrea deve ter inferido que se existem médiuns polígrafos − aqueles por meio dos quais os espíritos escrevem com suas letras originais, esses podem ser achados. E ninguém melhor para se iniciar tal investigação que o alcunhado “maior médium do século XX”, Chico Xavier. Chico psicografara milhares de mensagens ditas provindas de falecidos e era considerado médium mecânico, reunia, portanto, as qualidades necessárias.

 

E assim tudo começou.

 

Acontece que esse começo não parece ter sido o melhor ponto inicial. Fala-se que, antes da investigação, Perandrea fora católico: após a feitura do trabalho se convertera ao espiritismo,  e mais: desenvolvera mediunidade! Essa mudança de posição religiosa não teria relação com nossa análise se não fosse divulgada como reforço ao feito perandreniano: a ideia é a de que o resultado da pesquisa tão taxativo se mostrou que o técnico não teve escolha senão mudar de campo e, como brinde, descobriu-se médium. Ao final do livro lemos:

 

De família tradicionalmente católica, Perandréa hoje se diz também espírita, independentemente das questões dogmáticas, pois após a conclusão do trabalho A Psicografia à Luz da Grafoscopia, acabou por desenvolver mediunidade de escrita automática, comunicando-se com os espíritos de seus genitores e parentes já falecidos.

 

A pesquisa de Perandrea é francamente inclinada para a hipótese espírita. O autor parte do pressuposto de que espíritos comunicam, havendo apenas que se encontrar demonstração inequívoca desse fato, coisa que o técnico acredita ter achado com seu trabalho. Desse modo, questões que deveriam ter sido levantadas num trabalho realizado ceticamente, ou mesmo por alguém neutro, não aparecem.

 

 

 

260. Igualmente se pode incluir entre as provas de identidade a semelhança da caligrafia e da assinatura; mas, além de que nem a todos os médiuns é dado obter esse resultado, ele não representa, invariavelmente, uma garantia bastante. Há falsários no mundo dos Espíritos, como os há neste.

 

Aí não se tem, pois, mais do que uma presunção de identidade, que só adquire valor pelas circunstâncias que a acompanhem.

 

O mesmo ocorre com todos os sinais materiais, que algumas pessoas têm como talismãs inimitáveis para os Espíritos mentirosos. Para os que ousam perjurar ao nome de Deus, ou falsificar uma assinatura, nenhum sinal material pode oferecer obstáculo maior. A melhor de todas as provas de identidade está na linguagem e nas circunstâncias fortuitas.

 

261. Dir-se-á, sem dúvida, que, se um Espírito pode imitar uma assinatura, também pode perfeitamente imitar a linguagem. E exato; alguns temos visto tomar atrevidamente o nome do Cristo e, para impingirem a mistificação, simulavam o estilo evangélico e pronunciavam a torto e a direito estas bem conhecidas palavras: Em verdade, em verdade vos digo. Estudando, porém, sem prevenção, o ditado, em seu conjunto, perscrutado o fundo das idéias, o alcance das expressões, quando, a par de belas máximas de caridade, se vêem recomendações pueris e ridículas, fora preciso estar fascinado para que alguém se equivocasse. Sim, certas partes da forma material da linguagem podem ser imitadas, mas não o pensamento. Jamais a ignorância imitará o verdadeiro saber e jamais o vício imitará a verdadeira virtude.

 

Em qualquer ponto, sempre aparecerá a pontinha da orelha. E então que o médium, assim como o evocador, precisam de toda a perspicácia e de toda a ponderação, para destrinçar a verdade da impostura. Devem persuadir-se de que os Espíritos perversos são capazes de todos os ardis e de que, quanto mais venerável for o nome com que um Espírito se apresente, tanto maior desconfiança deve inspirar. Quantos médiuns têm tido comunicações apócrifas assinadas por Jesus, Maria, ou um santo venerado!

 

 


 

1ª parte

 

 

Perandréa, após várias averiguações, selecionou texto escrito, em vida, por ILDA Mascaro Saullo e o comparou  com mensagem psicografada por Chico Xavier, atribuída ao espírito da mesma Ilda. A pretensão seria confirmar que a alma desencarnada poderia, por meio do médium, reproduzir sua própria letra: se assim fosse constituiria passo importante na comprovação de que vivos e não-vivos comunicam.

 

Nesse ponto um complicador se apresenta: Perandrea, em seu livro, informa a existência de quatro mensagens psicografadas por Chico Xavier. No entanto, ele analisa apenas uma delas, sobre as demais nada comenta. Eis como se manifestou:

 

Dentre os novos casos, destacam-se quatro mensagens no idioma italiano, psicografadas por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, e atribuídas ao espírito de Ilda Mascaro Saullo, falecida em Roma, em 20 de dezembro de 1977, após enfermidade de longos anos.

 

 

 

Ilda viva e Ilda desencarnada

 

 

 

Nesta primeira abordagem confrontaremos a avaliação feita do nome “Ortensio”.

 

 

Palavra “Ortensio”, letra de Ilda quando viva.

 

 

Palavra “Ortensio”, letra de Chico Xavier em psicografia de Ilda.

 

Vejamos a análise de Perandréa a respeito deste vocábulo.

 

PERANDRÉA: “No cotejamento dos vocábulos acima, constata-se perfeita igualdade nas letras "t", bem como nos gramas de ligação entre os  símbolos "r" para "t", "t" para "e", "e" para "n". Ainda nas letras "t", confirma-se igualdade nas extensões e aberturas das hastes, com os mesmos "quebramentos" oriundos de um mesmo sentido genético e tendência genética. Igualdade, também, no corte das letras "t", que apresentam as barras na mesma altura e na mesma inclinação. As letras "e" apresentam a mesma concepção genética, lembrando a forma de um losango.” (Psicografia à Luz da Grafoscopia)

 

 

“Ortensio” é constituído de 8 letras e 7 gramas (ligações entre as letras). O técnico encontrou equivalências em uma letra (t) e em três gramas. O que nos leva a supor que não houve semelhança em 7 das 8 letras e em 4 dos 7 gramas. Ou seja, cerca de 75 por cento está diferente. Ainda assim ele considerou o resultado positivo!

 

 

Analisemos mais detidamente o parecer de Perandréa.

 

PERANDRÉA: “constata-se perfeita igualdade nas letras "t"”

 

Esta afirmação é controversa. Isoladamente a semelhança é admissível, mas no traçado por inteiro as divergências são patentes, inclusive na formação da letra “t”.

 

PERANDRÉA: “bem como nos gramas de ligação entre os  símbolos "r" para "t"”

 

Passível de discordância. O traço de Ilda (a verdadeira) é de tendência curvilínea, o de Chico angular. Perandréa declara que o grama do “r” para o “t” é igual. Não parece que seja.  Basta observar na imagem. O grama que une o “r” ao “t”, na letra de Ilda, descreve harmoniosa curva (parecendo um “U”), como se tomasse natural impulso para chegar a ápice do “t”. Em Chico Xavier observa-se angulação (forma de “V”) e inclinação mais pronunciada do grama. Confira a seguir:

 

 

 

 

ILDA                               Chico

 

 

 

PERANDRÉA: “"t" para "e", "e" para "n"”

 

Aqui, de fato, a semelhança é consistente, embora ainda se distinga, menos nítido, o traçado curvilínio de Ilda em oposição ao angular de Chico. Do “t” para o “e” em Ilda percebe-se a forma de um “U”; em Chico o movimento quase forma um ângulo reto, lembrando a letra “L”. Do “e” para o “n”, ao iniciar o traço da letra “n”, claramente se percebe a “ponta” angulosa feita por Chico e a “curva” traçada por Ilda. Do “n” para o “s” a divergência é escandalosa e, de igual modo, do “i” para o “o”. Também, o “e” de ILDA lembra um losango, conforme Perandréa apontou; no entanto, o de Chico é mais harmonioso, parecendo uma gota inclinada.

 

PERANDRÉA: “Igualdade, também, no corte das letras "t", que apresentam as barras na mesma altura e na mesma inclinação.”

 

Outra discutível assertiva. Levando em conta somente o primeiro “Ortensio” a declaração estaria correta, contudo, ao comparar-se todos os “tês” escritos por Ilda com os grafados por Chico registram-se diferenças expressivas. Falaremos disso adiante.

 

 

Vejamos um destaque interessante, que Perandréa parece não ter percebido, uma vez que a respeito não emitiu qualquer comentário.

 

Carta de Ilda, trecho inicial.

 

 

Linha inicial da psicografia, redigida por Chico Xavier.

 

 

Observem o nome “Teresa” como foi escrito por Chico Xavier: “Thereza”. Considerando-se a hipótese de ter havido comunicação mediúnica, o fato equivale a demonstração de que a falecida “esquecera” como se escrevia o nome da nora (por Ilda chamada “filha querida”)! É claro que por essa linha de raciocínio o caso se complica. Outra hipótese, a que nos parece mais plausível, indica que Chico Xavier, ao criar no seu subconsciente o simulacro do contato espiritual, e no intento de imitar a escrita de Ilda, não percebeu estar grafando erroneamente o nome da moça.

 

Terminemos  a avaliação de  “Ortensio”, vocábulo no qual Perandréa afirma ter deparado várias similaridades entre o grafado por ILDA e o por Chico Xavier, as quais não tivemos a mesma ventura de encontrar. Observemos quesitos complementares.

 

Palavra “Ortensio”, letra de Ilda quando viva.

 

 

Palavra “Ortensio”, letra de Chico Xavier em psicografia.

 

Um dos tópicos da análise grafotécnica chama-se “ataque”, que refere-se ao modo como o traço se inicia. Comparando-se o “Ortensio” de ILDA com o de Chico Xavier notamos várias diferenças. O “ataque” de ILDA inicia dentro da letra “O” em progressão contínua até o final da palavra. ILDA fez uso de um só ataque para escrever a palavra inteira. Já Chico Xavier inicia pelo lado de fora da letra e a mantém aberta e isolada. Para dar continuidade ao grafismo, Xavier parte de um segundo ataque com a letra “r”. Essas peculiaridades sugerem gêneses de autores diferentes.

 

O pingo no “i” de Ortensio feito por ILDA  é realmente um pingo, o de Chico assemelha-se a um acento circunflexo. No corte do “t”, embora Perandréa tenha destacado que a trajetória de ambos está harmoniosa, bem como a direção do traço (o que é correto), há uma diferença a ser registrada: o traço de ILDA está agregado à letra, o de Chico está afastado do “t”. Isoladamente, esses detalhes podem não ter maior significado, pois os autores raramente escrevem com igual exatidão em textos diversos. Entretanto, se se perceber a tendência a repetir o maneirismo, aí passa a ter importância.

 

No caso dos “tês” essas características não são notadas em outras reproduções da letra, nem em ILDA nem em Chico. Mesmo assim, há algumas curiosidades a ser destacadas.

 

1. ILDA tende a “economizar” traços: em palavras com mais de um “t” (como “tutto”) ela, em várias passagens, corta todos com risco único. Assim, no texto produzido por ILDA viva encontramos 4 palavras com “tês” cortados com um traço, e quatro com dois traços; em Chico Xavier tal não se repete, somente em palavras que os “tês” estão juntos, como “tutti”, os “tt”, por tendência natural da maioria dos escreventes, recebem um corte. Veja nas imagens a seguir:

 

CHICO XAVIER

ILDA MASCARO

 

 

 

No texto psicografado há um segundo “Ortensio”, que se apresenta semirrasurado. Perandréa deveria ter analisado também este grafismo, porém dele não faz apreciação. Rasuras podem ser simples rasuras, mas, dependendo da circunstância significam indício de falsificação. No Ortensio recoberto, a similaridade do corte do “t”, que Perandréa destacou como ponto importante, não se repete, tampouco quaisquer das equivalências que detectou na comparação precedente.

 

Na questão das rasuras, a psicografia feita por Chico apresenta dois grafismos com letras reescritas. A peça-padrão mostra que a escrita de ILDA era firme, sem vacilação e não ostenta remendo. Em alguns pontos, como na palavra   parece ter havido repasse da caneta no “a” final, mas isso pode ser falha do instrumento de escrita. Já as retificações feitas por Chico são evidentes:

 

 

 

Palavra rasurada na psicografia (1)                                                          Palavra rasurada na psicografia (2)

 

 

 

2ª parte

 

 

Passemos, agora, uma vista d’olhos nos corpos das mensagens, para fins comparativos:

 

Trecho da psicografia

Recado de ILDA em vida

 

 

Um dos tópicos da análise grafotécnica é o comportamento da escrita em relação à pauta e em relação à base do papel. Nestes quesitos registram-se diferenças perceptíveis.

 

1.    a escrita de Chico Xavier nitidamente tende a decair na palavra final. No texto exemplificativo, essa característica se nota nos dois parágrafos da psicografia (aqui só apresentado o 1º). No último há uma tendência ao equilíbrio em relação à pauta (imaginária) ou em relação à base do suporte gráfico (no caso, papel).  Em ILDA  registra-se propensão marcante para o alinhamento horizontal, junto com menor disposição à ascensão do traço. No recado vertido por ILDA, apenas a palavra “famigliar” é que decai, porém devido à intenção da escrevente em manter o termo na mesma linha.

2.    outro aspecto típico das cartas psicografadas por Xavier, reside no “esticamento” das palavras. Mesmo observando-se, nessa tentativa de imitar a letra de ILDA, a diminuição dessa característica, ainda assim se percebe que a grafia na mensagem psicografada é mais distendida que no traço original de ILDA.

 

Esses apontamentos denotam tendências genéticas distintas e, portanto, autores diferentes.
3ª parte

 

 

 

Consideremos agora as assinaturas. Vejamos o que Perandréa tem a dizer a respeito:

 

PERANDRÉA: “Para os exames da autenticidade gráfica de uma assinatura, é necessário que se disponha de vários padrões, para os levantamentos das variáveis e constantes gráficas. No caso em questão, existe apenas um padrão, o que prejudica o exame. No entanto, constatam-se semelhanças nos gramas curvilíneos e retilíneos, com as mesmas tendências genéticas na formação do símbolo "I". Por outro lado, chama a atenção o fato de que, tanto na escrita padrão, como na escrita questionada, a assinatura é representada simplesmente pelo vocábulo Ilda.”

 

 

É vero o que informa Perandréa. Os bancos costumam dispor de três modelos de autógrafos, a fim de efetuar reconhecimento seguro das assinaturas em cheques, contratos, cédulas de crédito e outros documentos. A assinatura de ILDA, se ela autografasse seus cheques conforme consta na carta, seria um problema para quem conferisse. Além de um autógrafo simples, fácil de ser imitado, ainda teria poucos elementos para fins de comparação. Em casos assim, geralmente as instituições financeiras solicitam ao cliente que pelo menos escreva o nome por extenso.

 

Avaliemos as explicações do técnico:

 

 

PERANDRÉA: “constatam-se semelhanças nos gramas curvilíneos e retilíneos, com as mesmas tendências genéticas na formação do símbolo "I"”

 

                       

 

 

 

Chico Xavier                                                 ILDA MASCARO

 

Novamente, a afirmação de Perandréa é discutível. A escrita geral de ILDA é de predominância curvilínea, os traços retos são em menor número;  em Chico a prevalência é a escrita angular (mais reto que curvo). Embora na assinatura isso não fique muito claro, devido ao pouco material disponível, de qualquer modo, percebe-se a diferença de percursos dos traços seguindo-se o traçado de cada assinatura  com o dedo, como se estivesse decalcando. Nota-se, ainda, que o grama que liga o “i” ao “l” (em “IL” de ILDA) é completamente diferente entre os dois grafismos. Registre-se, também, que ILDA precisou de um só “ataque” para fazer a assinatura; Chico, à primeira vista teria utilizado três ataques, pois o escrito parece estar interrompido, veja os pontos:

 

 

 

 

Entretanto, examinando-se com mais atenção, supomos que o ataque de Chico pode ter sido unitário, conforme a seguir demonstrado (nesse caso, as aparentes paradas seriam falhas do instrumento de escrita). Mesmo assim, é patente a progressão variada entre os dois autógrafos, conforme se vê nas figuras abaixo:

 

 

 

           Chico Xavier                                                                            ILDA

 

 

Ressalte-se que, dada a simplicidade do traço, a assinatura de ILDA é relativamente fácil de ser simulada.

 

Se alguém quiser fazer um teste, mostre os dois padrões a um caixa de banco, ou a oficial de cartório, e indague se se trata de autógrafo da mesma pessoa. Duvido que o conferente admita que as assinaturas provêm de igual fonte...

 

 

PERANDRÉA: “chama a atenção o fato de que, tanto na escrita padrão, como na escrita questionada, a assinatura é representada simplesmente pelo vocábulo Ilda.”

 

 

Seria o caso de se perguntar: chama a atenção de quem, e para o quê? Sim, porque se ILDA assinava apenas o primeiro nome e Chico fez exatamente dessa forma, isso pode significar, dentre outras suposições, que o homem de Uberaba visualizara a escrita de ILDA antes de psicografá-la. Portanto, essa declaração não tem valor técnico, tampouco serviria de reforço à hipótese de que a psicografia seja verdadeira comunicação.

 


4ª parte

 

 

 

Avaliemos outras “semelhanças” apontadas por Augusto Perandréa:

 

 

Escrita questionada (grafada por Chico Xavier)

 

 

Escrita padrão (feita por ILDA Mascaro em vida)

 

Escrita padrão.

 

Perandréa destaca os termos “famiglia” e “famigliar” vertidos por ILDA e os compara com a escrita psicografada. A respeito deles afirma:

 

PERANDRÉA: “Todas as peças apresentam semelhanças nos gramas constitutivos do símbolo "f", inclusive no grama de ligação com a letra "a"; verificam-se, ainda, no símbolo "m", as mesmas formações de sentidos e tendências genéticas, com semelhanças também na inclinação dos eixos gramáticos.”

 

 

Ora, uma descompromissada olhadela no “f” nos mostra coisa diferente. O “f” de ILDA é formado divergentemente ao de Chico. O próprio aspecto mostra isso. Veja abaixo as diferenças:

       

ILDA              ILDA              XAVIER

 

ILDA faz o “f” como se fora um “j”; o de Chico é mais estilizado; neste, antes do grama que parte para a letra “a”, existem dois “nós” bem característicos. O ataque inicial de ILDA situa-se próximo ao “tronco” da letra, o de Xavier é mais aberto. Se pudermos verificar em outras reproduções desses grafismos as características observadas, teremos sobejas razões para discordar da declaração de Perandréa de que Todas as peças apresentam semelhanças nos gramas constitutivos do símbolo ‘f’”.

 

Note-se, ainda, a progressão do traço de ILDA é desarmônica com a de Chico: do ataque inicial, ILDA parte em sentido ascendente (subindo) até o ápice da letra; de lá desce até a base, onde descreve curva para a esquerda, ou seja, para o lado de “fora” da palavra (Siga com o dedo o traçado).

 

Chico inicia de um ponto mais aberto, segue em traço curvo-ascendente até um ponto de onde inicia a subida ao topo; de lá desce à base, descreve curva à direita.

 

A propensão do “f” de Ilda é formar uma “barriga” na base da letra; o de Chico é dar um “nó” na base.

 

 

Vejamos como se comportam os “efes” de ILDA e de Chico em outras palavras encontradas nos textos constantes do livro de Perandréa.

 

Primeiramente Chico Xavier:

 

 

 

Agora, ILDA:

 

 

 

 

 

 

 

Percebe-se muito bem: nos “f” de ILDA estão presentes as características de assemelhar-se a um “j” e formar uma “barriguinha” na parte inferior e sair com o traço para a esquerda. Os de Chico variam:  em dois espécimes o traço é rápido, quase “nervoso”; nos outros três o traçado é peculiar e em nada assemelhado ao de ILDA: e a saída da base é sempre para a direita.

 

Quanto a inclinação Perandréa está correto, realmente se equivalem, porém isso é pouco em vista das dessemelhanças.

 

Observe-se que ILDA  mostra claro pendor para redigir as palavras com um só ataque; em Chico as paradas e retomadas são evidentes, e isso pode ser considerado divergência geral entre os escritos dos dois autores. Nos exemplos destacados, coisas parecidas podem ser ditas sobre a letra “g”. Apenas no segundo “figli” traçado por Chico há ligeira semelhança entre os “gês”, embora este seja anguloso, enquanto o de ILDA é curvilíneo.

 

Portanto, fica prejudicada a assertiva de Perandréa de que as letras “f” grafadas por Chico e as traçadas por ILDA se harmonizam.

 

O perito também destacou haver equivalência na formatação da letra “t”, o que considerou “característica marcante”, conforme se vê:

 

PERANDRÉA: “Em todas as peças, as características gráficas mais marcantes se apresentam nos símbolos "t", onde são constatadas igualdades de formação nas hastes, com as mesmas situações, proporcionando os mesmos ângulos de aberturas. As barras nos cortes desse símbolo mantêm a  mesma altura e situação. Observa-se, ainda, a tendência da utilização de uma única barra no corte de duas letras "t".

 

 

Confirmemos se é do modo como foi declarado:                                                               

 

Escritas  questionadas (CHICO XAVIER)

Escritas padrão (ILDA MASCARO)

 

 

Curiosamente, Perandréa tem olhos para as similaridades e olvida ostensivamente o que está desarmonioso. Examinemos por partes a declaração:

 

PERANDRÉA: “as características gráficas mais marcantes se apresentam nos símbolos "t", onde são constatadas igualdades de formação nas hastes, com as mesmas situações, proporcionando os mesmos ângulos de aberturas.”

 

A afirmação do técnico pode ser aplicada aos “t” iniciais das palavras cotejadas, porém, os “t” internos, de modo algum, conformam com o alegado. Acompanhe na tabela seguinte:

 

 

 

Letras “tt” em Chico Xavier

Letras “tt” em ILDA

 

O traço de Chico inicia num pequeno gancho ao lado direito da haste; desce até a base, onde forma outro gancho que sobe para formar a segunda haste. Esse grama de ligação entre os dois “t” só se vê no início do traço, mas, mesmo assim, é possível visualizar a mecânica da formação das letras, ilustradas a seguir (visto isoladamente o traçado lembra o de um “H”); compare-se com o tracejado de ILDA (os “tt” de ILDA lembram a letra “U” com um corte):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CHICO XAVIER                          ILDA

 

 

 

PERANDRÉA: “As barras nos cortes desse símbolo mantêm a mesma altura e situação. Observa-se, ainda, a tendência da utilização de uma única barra no corte de duas letras "t".

 

Perandréa insiste na similaridade entre as barras de corte nos “tês”, porém “esquece” dois aspectos importantes:

  1. Conforme demonstrado, em várias passagens do texto de ILDA, ela utiliza uma única barra para cortar três “t”; em Chico não há um único exemplo desse procedimento;
  2. ILDA sempre realiza os cortes nos “t” depois que termina de escrever a palavra; Chico sempre efetua os cortes logo que termina de grafar os “t”. Observe que o traço de ILDA é único, do início ao fim do grafismo. Ela retira o instrumento de escrita do papel após registrar por inteiro o vocábulo, só então retorna para dar os cortes nos “t”. Chico Xavier, invariavelmente, para após fazer as letras, aplica o corte e, então, dá continuidade ao escrito (apenas no primeiro “Ortensio” é que não acontece assim).

 

É importante dar destaque a esta peculiaridade do traço de ILDA, que Perandréa parece não ter notado, e que reforça a convicção de que os dois escreventes são distintos, tanto em personalidade, quanto, consequentemente, em características redativas: é nítida a tendência de ILDA de registrar as palavras com um único fôlego redativo; Chico Xavier, não, costuma utilizar dois, três ou mesmo quatro ataques.

 

As alegadas equivalências e harmonias apontadas por Perandréa − e ora questionadas −, têm por fito amparar a conclusão por ele prolatada, qual seja:

 

PERANDRÉA: “A mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em 22 de julho de 1978, atribuída a Ilda Mascaro Saullo, contém, conforme demonstração fotográfica (figs. 13 a 18), em "número" e em "qualidade", consideráveis e irrefutáveis características de gênese gráfica suficientes para a revelação e identificação de Ilda Mascaro Saullo como autora da mensagem questionada.”

 

 

Baseado no que se apresentou, dispomos de elementos suficientes para extrair outra conclusão, que assim pode ser resumida: muito pouco de ILDA MASCARO se encontra na mensagem psicografada por Chico Xavier.

 

Ao que, podemos acrescentar: a mensagem vertida por Chico Xavier demonstra clara intenção de simular a letra de ILDA MASCARO, sendo fora de dúvida que não foi a referida ILDA a autora da missiva.

 


PARA CONCLUIR

 

 

Na introdução de seu livro Perandréa apresenta ponderações que cabem ser avaliadas, vejamos o que foi dito (os realces são de nossa autoria):

Os resultados iniciais pareciam não fazer sentido dentro dos princípios básicos da  grafoscopia. Procurou-se saber as causas. Não obstante as dificuldades, ficava caracterizada a necessidade de melhor se compreender alguns pontos fundamentais da própria psicografia. E, para tanto, foram buscadas nas obras de Allan Kardec as respostas para o entendimento e desenvolvimento desse trabalho.

 

Em decorrência desse novo estudo, constatou-se a ineficácia da aplicabilidade do método convencional de exames para a determinação da autoria gráfica. Sabe-se que nos exames de escritas cursivas normais, segundo técnica largamente aconselhada, o examinador inicialmente levanta os dados da cultura gráfica e do grau de firmeza, ao tempo em que a dinâmica e a própria gênese gráfica vão se revelando aos olhos experimentados do especialista.

 

Comprovou-se que a técnica de conferência mais adequada é a aplicada para os exames das escritas em alfabetos ideográficos e em escritas numéricas, ou seja, parte-se dos exames da gênese gráfica reforçados pelos demais exames.

 

Confirmou-se a necessidade da valorização de alguns pontos de grafoscopia, como a cultura gráfica, as causas modificadoras do grafismo, a mão amparada, a mão guiada e principalmente o pivô da escrita, todos analisados a partir da gênese gráfica.

 

A não ser que haja melhor interpretação desse proferimento − a qual desconhecemos −, o que o técnico está a dizer é que a grafoscopia não ampara a exótica tese que defende − a do hibridismo gráfico (mistura de grafismos) como autenticação de escritos psicografados −; então, foi necessário buscar em outras fontes apoio para o que se postula. Assim, Perandréa “adaptou” técnicas de exame em alfabetos ideográficos para a escrita cursiva (o que parece arbitrário), e, pior, foi buscar nas obras − de quem? − de Allan Kardec as respostas que necessitava! Ora, ora, com todo o respeito que cabe a Kardec, é óbvio que os escritos da codificação nada dizem sobre grafoscopia!

Nas referências bibliográficas, Perandréa cita 29 obras. Destas 5 são livros técnicos; 3 não identificamos (os títulos estão em alemão), provavelmente sejam também técnicos, e, 21 são especificamente espíritas, algumas tratando especificamente de reencarnação, o que parece não ter relação com a tese em estudo... Portanto, a maioria dos subsídios do estudo foi extraída de material espiritista, não técnico!

O que Perandréa apresenta, em suma, é uma obra predominantemente espiritista, com pinceladas de grafotecnia, e apresentada indevidamente como “trabalho científico”. Uma associação de assuntos díspares, que certamente especialistas da área não corroborariam.


MUDANÇA DE CALIGRAFIA

 

 

Carlos Perandréa dá destaque a um aspecto curioso da escrita mediúnica de Chico Xavier: na psicografia de Ilda, o traço típico de Chico claramente mudara em comparação com a letra usual das mensagens psicografadas. Vamos ver as palavras do técnico e avaliar as conclusões possíveis.

 

Trata-se de mensagens atribuídas a espíritos diferentes, em datas diferentes, todas psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier. Mesmo em uma análise rápida e superficial, constata-se mudança de caligrafia na mensagem da figura 9 [em verdade, figura 10].

 

(...)

 

Como pôde ser observado na descrição das peças de exames (figs. 1 a 4), ou ainda na figura 12 as diferenças de calibres entre as escritas questionada e padrão são enormes. Uma das peculiaridades da psicografia, constatada nas pesquisas, é justamente a característica de um aumento significativo dos calibres das letras.

 

Perandréa aponta duas características do material examinado: (a) a mudança da caligrafia de Chico no recado dito inspirado pelo espírito de Ilda; e (b) o aumento de calibre da letras nos escritos psicografados. Contudo, o técnico cita essas peculiaridades mas não desenvolve consideração sobre as razões de tais ocorrências e que implicações poderiam ter para  legitimar a origem espiritual do texto.

 

Parece que a intenção seria destacar esses pontos, considerando-os favorecedores da autoria mediúnica. Entretanto, apontar os aspectos incomuns, sem especificar em que favorecem (ou não) a hipótese mediúnica, é o mesmo que nada dizer. Vamos, pois, expor nossa opinião a respeito.

 

1.    No que se refere à mudança de letra, o fato parece-nos demonstrar uma tentativa consciente, ou semiconsciente, de imitar o traço com o qual o médium teve contato preliminar. Não há como garantir, mas existe a probabilidade de que o homem de Uberaba tenha visto escritos de ILDA antes de psicografá-la. Levando-se em conta que essa importante condição não foi devidamente analisada pelo perito, não há como fechar conclusão nem pela afirmativa, nem pela negativa. De qualquer modo, a modificação da letra, conjugada com a presença de grafismos típicos de Chico Xavier na psicografia (declarado pelo próprio Perandréa) faz parecer mais plausível a hipótese da imitação;

2.     O aumento no calibre dos escritos nas psicografias tem por fito facilitar a escrita com olhos cerrados ou semicerrados, não vemos no evento qualquer correlação com a possível autenticidade dos escritos mediúnicos, provavelmente é mais um indicativo da origem psíquica de tais produções.

 

Observemos de perto os exemplos dados por Perandréa;  nas figuras que segue, as duas primeiras são ilustrações da psicografia “normal” de Chico Xavier; a terceira é a já nossa conhecida mensagem psicografada, alegadamente provinda de ILDA:

 

Psicografia de Chico Xavier

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Psicografia de Chico Xavier

 

 

 

 

 

 

Psicografia de Chico Xavier, relativa a ILDA Mascaro

 

Apesar da diferença entre as letras na psicografia atribuída a ILDA e as demais, também elaboradas por Chico, nota-se similaridades em algumas letras, veja-se, por exemplo, os “f’ e “g”. Foi por isso  que Perandréa não pode deixar de “notar” a incômoda presença dos gramas de Chico Xavier na escrita dita fomentada pela alma de ILDA Mascaro.

Outro ponto que deve ser ressaltado, mesmo que não tenha relação direta com o estudo em pauta (mas indiretamente tem): trata-se da “mesmice” estilística, típica das cartas psicografadas pelo médium de Uberaba. Quando se examina quantidade apreciável de psicografias elaboradas por Chico, alegadamente remetidas por numerosas pessoas, de sexos diferenciados, idades distintas, níveis culturais variados, um dado salta à vista: quase todas as cartas possuem igual estilo redativo, claramente indicando uma fonte comum de procedência.

Esse ponto, que aponta fortemente para a origem psíquica das psicografias (ou seja, as cartas eram frutos da criatividade de Francisco), é discretamente deixado de lado pelos que defendem que Chico comunicava efetivamente com espíritos.

 

 


NA INTERNET

 

Múltiplas apreciações empolgadas ao trabalho de Perandréa estão disponíveis na Internet. Algumas se destacam pelo exagero e pelo baixo senso crítico de seus expositores, vários deles pessoas de renome e de reconhecida cultura. Consideremos algumas (nossos comentários estão em vermelho):

 

Richard Simonetti, reclamando à revista Superinteressante, em abril de 2010, dizia:

 

Sugiro à Revista Superinteressante que faça uma análise científica e crítica ao trabalho de Francisco Cândido Xavier retratado na obra de Carlos Augusto Perandréa "A Psicografia à Luz da Grafoscópia" publicado pela Editora FE em Março de 1991 onde se prova científicamente a sobrevivência e comunicabilidade dos espíritos pelos métodos da Grafoscopia.

http://www.vademecumespirita.com.br/goto/store/textos.aspx?SID=96418ffe19dc6c4dca5c84fd33b5813f&id=491

 

A própria revista Superinteressante, tão execrada por espíritas devido a algumas reportagens não enaltecedoras de Chico Xavier, publicava em sua edição nº 252, de maio/2008:

 

Perito especializado em análises datiloscópicas e grafotécnicas, Carlos Augusto Perandréa analisou a carta atribuída a Ilda Mascaro Saullo, que morreu de câncer em 1977 na Itália. O bilhete em italiano, língua que o médium desconhecia, foi comparado com um cartão-postal escrito por Ilda. A pesquisa transformou-se no livro A Psicografia à Luz da Grafoscopia, que detalha, por exemplo, que as letras “t” do cartão escrito por Ilda e da carta de Chico Xavier tinham o mesmo tipo de ligação com as demais, a mesma abertura das hastes e a mesma barra de corte da letra. Segundo o perito, a mensagem era um híbrido entre a forma de escrever do médium e da italiana. http://super.abril.com.br/religiao/mediuns-447506.shtml

 

 

Algumas (des)informações são escandalosamente distorcidas:

Um estudo bastante interessante foi realizado por este perito, que foi grafotécnico do Banco do Brasil de 1965 até 1986, o mesmo é perito judiciário em documentoscopia desde 1965, e desde 1974 é professor do Departamento de Patologia, Legislação e Deontologia da Universidade Estadual de Londrina - Paraná, na disciplina Identificação Datiloscópica e Grafotécnica. Em 1991, Perandréa escreveu o livro “A Psicografia à Luz da Grafoscopia” onde analisou mensagens psicografadas do médium Chico Xavier e as suas, posto que o perito também é médium. O livro trata de uma verdadeira pesquisa científica, e das 400 cartas constantes de seu livro, 398 também foram confirmadas por outros peritos, demonstrando confiabilidade, afinal a margem de acerto foi de 99,5%. (ÁLAN MADUREIRA DA SILVA - A PSICOGRAFIA COMO MEIO DE PROVA NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO) http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=1191

 

Apologia semelhante divulga o Sr. Gerson Simões Monteiro, Vice-Presidente da FUNTARSO, em missiva remetida à Superinteressante, no mês de setembro de 2010. No trecho reproduzido, Gerson Simões, tal qual Alan Madureira,  afiança que Perandréa reconhecera a autoria gráfica de “mais de 400 mensagens”. O que deixa clara que o missivista sequer leu o estudo do professor Perandréa, pois na obra em questão analisou-se o grafismo de apenas uma psicografia (as demais 399, não se sabe de onde vieram, nem onde estão):

 

Porém, uma pergunta que não se cala: como o médium mineiro poderia imitar a caligrafia e as assinaturas dos mortos, a ponto delas serem confirmadas pelo perito em Grafoscopia, Dr. Carlos Augusto Perandréa, conforme relato publicado no livro de sua autoria - A Psicografia à Luz da Grafoscopia (Editora Fé)?

Além disso: se a Grafoscopia é uma técnica reconhecida e aceita para solucionar questões criminais e para verificação da autenticidade ou a determinação da autoria de um documento, como questionar sua credibilidade, quando se refere à autenticação das psicografias?

PROVAS CIENTÍFICAS

No livro citado, o Dr. Perandréa apresenta um trabalho científico inédito no mundo, publicado na Revista Científica Semina da Universidade Estadual de Londrina. O autor prova a comunicação psicográfica comparando a letra (padrão) do indivíduo antes e depois da morte, em mensagens mediúnicas (pela psicografia), analisando em laudo técnico e chegando à conclusão de autenticidade gráfica. 

Perandréa é professor da Universidade estadual de Londrina Paraná, Criminólogo, Perito Judiciário em Documentoscopia; Professor Universitário, na Universidade Estadual de Londrina, desde 1972 (Medicina Legal - Identificação Datiloscópica e Grafotécnica - Curso de Direito), e confirma a autoria gráfica de mais de 400 psicografias (mensagem de "Espíritos") recebidas através do médium Chico Xavier, quando comparadas com a grafia das pessoas enquanto ainda vivas (o que se constituiria também, posteriormente, em uma prova da sobrevivência da consciência humana ao fenômeno da morte física).

 http://www.espacoespirita.net/modules/smartsection/item.php?itemid=855

 

No trecho que vem a seguir, Altamirando Carneiro lamenta que o caso “Humberto de Campos” não tivesse acontecido mais recentemente, pois se assim fosse, certamente Perandréa “resolveria” quaisquer dúvidas... Entretanto, Altamirando mudaria de opinião se houvesse examinado o livro do Dr. Elias Barbosa “Humberto de Campos e Chico Xavier, A Mecânica do Estilo”, o qual, na página 84, mostra a assinatura do escritor maranhense e a forjada por Chico Xavier;  pois os traços do escritor vivo e o da suposta comunicação mediúnica são claramente divergentes, embora o Dr. Elias defenda haver  semelhanças...

 

Se Humberto de Campos tivesse vivido até os dias de hoje, não seria preciso toda a celeuma causada em torno da autenticidade das suas primeiras mensagens mediúnicas, enviadas à Terra. É que o londrinense Carlos Augusto Perandréa está desenvolvendo um trabalho inédito no Brasil e no mundo, através da elaboração de exames científicos, que permitem comprovar a autoria das mensagens psicografadas.

http://www.feesp.com.br/divulgacao/pag_semeador_materia3.htm


Para encerrar este modesto estudo, avaliaremos o prefácio do livro, elaborado pelo  gentil  Hernani Guimarães. [Nossos comentários estão em vermelho]

 

As inúmeras formas de evidência de apoio à crença na sobrevivência da personalidade após a morte têm sido, sistematicamente, rejeitadas pela ortodoxia científica. Tal cepticismo é apoiado em uma série de argumentos, alguns deles razoáveis, porém a maioria baseada apenas em hipóteses sem suporte experimentação positiva ou razões sólidas.

Entretanto, à medida que os adversários da posição defendida pelos espiritualistas exigem, destes, demonstrações cada vez mais rigorosas, vão surgindo, também, métodos mais sofisticados para a confirmação da sobrevivência da personalidade após a morte.

Hernani Guimarães manifesta-se otimista a respeito das evidências da vida após a morte. Guimarães foi ardente apologista da reencarnação e, como tal, − ele e outros com igual pensamento −, costumeiramente agregava o reencarnacionismo à idéia da sobrevivência. Parece que, para os adeptos da reencarnação, os dois assuntos são indissolúveis: sempre que se falar em vida além, a referência à reencarnação seria obrigatória. São os defensores de uma “sobrevivência reencarnacionista”. O que é, sem dúvida, grande equívoco, visto que é possível haver vida após a morte sem que haja reencarnação.

Em termos de crença propriamente dita nada temos a objetar quanto ao discurso de Guimarães. No entanto, quando ele diz que existem evidências temos que conhecê-las, a fim de verificar se se tratam efetivamente de fatos que corroborem a hipótese de vida além-túmulo. Infelizmente, quando se faz a verificação constata-se a fragilidade dos argumentos do engenheiro Hernani Guimarães.

Guimarães relaciona o que considera as mais fortes demonstrações, quais sejam:

  1. visões de moribundos;
  2. experiências de quase morte;
  3. casos sugestivos de reencarnação, estudados por Stenvenson e seguidores;
  4. transcomunicação experimental;
  5. psicografia, com destaque para as “correspondências cruzadas”;
  6. o estudo do professor Carlos Augusto Perandréa.

 

Basta um olhar medianamente crítico para perceber-se que nessa lista de “evidências” pouca coisa prática se extrai. Deixaremos de comentar os itens 1, 2 e 3 porque demandariam avaliações mais detalhadas, de qualquer modo, são postulações passíveis de contestações, ou se tratam de estudos preliminares e precários, como é o caso das pesquisas de Ian Stenvenson. Vamos selecionar os pontos mais expressivos do prefácio e apresentar nossas considerações.

(...) Mais significantes ainda têm sido as pesquisas experimentais de Transcomunicação Instrumental levadas a efeito na América do Norte e na Europa, das quais mencionamos algumas já bem conhecidas: gravação de vozes em fitas magnéticas (Juergenson, 1972; Bander, 1972; Raudive, 1971) e Spiricom (Meek, 1982). Atualmente, na Alemanha e em Luxemburgo, já foram obtidas imagens e vozes de pessoas falecidas, transmitidas diretamente do Além e captadas aqui na Terra por meio de sofisticada aparelhagem eletrônica (Holbe,1987; Locher e Harsch, 1989; Schafer,1989).

Apesar de todos os sistemas observacionais e técnicos aos quais nos referimos, capazes de produzir uma evidência praticamente irrecusável da sobrevivência, ainda persistem extensas áreas de resistências à sua aceitação pelo oficialismo científico. Os refutadores, de um modo geral, lançam mão de “explicações paralelas”, mediante as quais tentam invalidar a tese espiritualista, reduzindo as causas de tais fenômenos a meras funções paranormais do ser humano vivente.

A transcomunicação instrumental tem sido apresentada como “prova forte” da comunicação interdimensional e, consequentemente, da sobrevivência. O que causa admiração é que pessoas com bom conhecimento de ciência encontrem na transcomunicação alguma  coisa que mereça ser qualificada de produtiva.

Em realidade, por enquanto, de concreto, tudo o que a transcomunicação conseguiu apresentar foram crendices, falácias e empolgação. Se desse meio sairá algo efetivamente demonstrativo, estamos ainda esperando para ver.

A transcomunicadora Sonia Rinaldi prometeu elaborar o que ela nomina “mega-tese multidisciplinar” com a proposta de comprovar científica e inequivocamente a realidade da transcomunicação. Isso, desde meados de 2009. Vamos aguardar o que virá, porém, nossa expectativa não é positiva: considerando-se o histórico das transcomunicações, dificilmente se obterá nessa seara resultado consistente.

Entre as manifestações atribuíveis aos mortos, através de médiuns, a escrita automática (psicografia) é uma das mais importantes, não só pela sua simplicidade e facilidade prática, como pela importância histórica que a marcou no controvertido episódio das “correspondências cruzadas” (Gauld, 1986, p. 84). As correspondências cruzadas ocorreram aproximadamente entre 1901 e 1932, nos fins da fase áurea da Society for Psychical Research - SPR, cuja história contém um acervo com importantes investigações, caracterizadas por dramáticos conflitos entre a rica fenomenologia paranormal e o profundo cepticismo de alguns de seus mais ilustres investigadores.

(...)

As mensagens isoladas, captadas ora por uma das psicógrafas, ora por outra, situadas entre si a grandes distâncias, até mesmo em países diferentes, estranhamente não faziam sentido. Porém, quando juntadas, formavam uma peça única com significado perfeito e de elevada erudição, cujo estilo era o do autor signatário (nesse caso, o Myers). Posteriormente, surgiram mensagens de Gurney, Sidwick e outros membros falecidos, todas elas contendo características do estilo e cultura dos comunicadores. Era uma tentativa dos espíritos em demonstrar aos companheiros ainda vivos a sua sobrevivência após a morte.

O esforço por parte daqueles espíritos durou perto de 31 anos e produziu enorme volume de material mediúnico. Vários investigadores dedicaram-se ao estudo rigoroso desse precioso acervo de informações. Muitos deles concluíram pela realidade da sobrevivência dos signatários das mensagens. Entretanto, muitos outros, também, não aceitaram a tese espiritualista. Finalmente, ficou tudo sepultado sob uma montanha de silêncio e um bloco de cepticismo irracional.

As “correspondências cruzadas” constituem assunto que demanda análise ampla. Conforme o próprio Hernani informa: houve quem aceitasse o material como comprovação da comunicação espiritual e houve quem rejeitasse. De alguns casos que examinamos, pareceu-nos que havia necessidade de boa dose de subjetividade para dar sentido às mensagens cruzadas. Seja como for, o caso parece não ter passado de “modismo” mediúnico, visto que o cruzamento de mensagens há muito não é realizado, ao menos não com a amplitude dos tempos áureos. Ou seja, o que seria argumento firme em favor da mediunidade esgotou as baterias antes de conquistar legitimidade...

 

Agora, durante o Século XX, presenciamos manifestações psicográficas de inúmeros médiuns excelentes, entre os quais se destaca o grande sensitivo Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), reconhecidamente o maior médium psicógrafo deste Século. O fabuloso material psicografado por Chico Xavier contém abundantes evidências a favor da tese espiritualista. Porém, há sempre aqueles que, apoiados nas desgastadas hipóteses reducionistas da ESP, da telepatia e de outras mais complicadas, insistem em negar a autoria das mensagens, como sendo das pessoas já falecidas que as subscreveram.

Existem estudos de boa qualidade, disponíveis na internet, que sugerem ser a “mediunidade” de Chico coisa bem terrena, provinda do excêntrico psiquismo de Francisco Cândido. Hernani reclama que apelam os céticos para explicações “complicadas” na pretensão de esclarecer a origem da psicografia; entretanto não leva em conta − sequer cita −, a mais simples e coerente suposição: o psiquismo como fonte das manifestações mediúnicas, a qual, diga-se, não é recente:  Kardec já enfrentava igual objeção em seu tempo; mas dela fazia pouco caso.

 

O esplêndido trabalho do professor Carlos Augusto Perandréa representa importante comprovação da origem das comunicações fornecidas pelos espíritos, através da mediunidade de Chico Xavier. Trata-se de uma verificação pericial da autenticidade gráfica da escrita e assinatura da entidade comunicadora. É uma pesquisa rigorosamente científica, levada a efeito por um legítimo expert, cujos serviços são solicitados para fins bancários, policiais, jurídicos e outros.

Que “explicação paralela” e “reducionista” irão encontrar os negadores da sobrevivência, diante de um laudo pericial desse valor? Apelarão para a tese do conluio entre o “perito” e o “réu”? Alegarão a “incompetência” do perito? Como poderão obter a comprovação de insinuações dessa gravidade?

Hernani rejubila ante o trabalho de Perandréa, pois vê nele condição para “calar a boca” dos céticos. Se os céticos apresentam hipóteses complexas para a mediunidade (como ESP, telepatia); então ele desafia a que dêem explicação ao que fora “comprovado” por Perandréa. Para Hernani, os críticos teriam que optar por teses insustentáveis de fraude ou de incompetência...

No trecho acima há uma falácia discreta, Guimarães questiona: Que “explicação paralela” e “reducionista” irão encontrar os negadores da sobrevivência?”. O caso é que não seriam propriamente “negadores da sobrevivência” os que que rejeitam “provas” da mediunidade. Hernani Guimarães volta a confundir as coisas. Muitos há que admitem a sobrevivência sem, porém, acatar teses reencarnacionistas e mediúnicas. Parece que o preambulista quanto diz “aceitar a sobrevivência”, em verdade quer dizer: “aceitar a mediunidade e a reencarnação”.

 

O trabalho A Psicografia à Luz da Grafoscopia constitui, sem dúvida, um avanço e tem relevante importância na consolidação da tese da sobrevivência. Apesar de sua aparente simplicidade, a comprovação grafoscópica atinge o mesmo nível de significância das mais recentes técnicas de transcomunicação instrumental surgidas na Europa e Estados Unidos, nestas últimas décadas do Século XX.

Indubitavelmente, o professor Carlos Augusto Perandréa terá o seu nome perpetuado na história da investigação da natureza do homem, alinhando-se entre aqueles que se dedicaram à árdua tarefa de demonstrar a sobrevivência da personalidade após a morte física.

As declarações do nobre engenheiro, e daqueles que pensam igualmente, devem ser respeitadas, pois externam a paixão com que crenças são cultivadas; porém, em termos de comprovação objetiva, não vão além de manifestações calcadas no deslumbramento. É, pois, com atitudes fascinadas que se almeja que alegações de evidências da vida além e da reencarnação sejam admitidas. Tais pronunciamentos são estribados muito mais no desejo de ver crenças confirmadas que em legítimas pesquisas validativas.

 

Ficamos por aqui, almejando que essas miúdas reflexões possam auxiliar-nos a avaliar, de forma ampla,  o tema sob julgamento.

Dezembro de 2010

Moizés Montalvão


Referências Bibliográficas.

 

Barbosa, Elias.  Humberto de Campos e Chico Xavier: a Mecânica do Estilo. Araras, SP: IDE, 2005.

Gomide, Tito Lívio Ferreira. Manual de Grafoscopia. 2ª ed. São Paulo, Livraria e Editora Universitária de Direito, 2005.

Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guilon Ribeiro da 49ª ed. francesa. 62ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1996.

Perandréa, Carlos Augusto. A Psicografia à Luz da Grafoscopia. São paulo: Editora Jornalística Fé, 1991.

Singer, Eric. Conhece-te pela Letra. Rio de Janeiro, Edições de Ouro.

 

INTERNET:

Bursztyn, Victor Soares. Biometria: análise de assinaturas. Disponível em http://www.gta.ufrj.br/grad/08_1/assinat/index.html#grafoscopia. Acessado em 5/12/2010.

Cinelli, Sebastião Edison. Estudo Constitutivo dos Traços. Disponível em http://www.cinelli.com.br/Estudoconstitutivo.htm.    Acessado em 23/11/2010

Cinelli, Sebastião Edison. Grafoscopia e Grafologia. Disponível em http://www.cinelli.com.br/Artigo01.htm. Acessado em 23/11/2010

Paleografia Portuguesa, parte 1. Disponível em http://buratto.org/gens/Paleo1.html.    Acessado em 23/11/2010

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